O vazio não está nem quando é silêncio

Vozes femininas na literatura

Org. Patrícia Lima

CONTOS E CRÔNICAS

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Tamanho: 12 cm x 19 cm

144 páginas 

1a Edição

ISBN: 978-65-86638-03-5

Capa e projeto gráfico:  

Luciana Facchini

Preparação e revisão:

Fabiana Biscaro

A VOZ E A VEZ DAS MULHERES NA LITERATURA

 

Livro reúne escritoras bauruenses e busca amplificar a voz de mulheres num espaço ainda hoje amplamente ocupado por homens, a literatura.

 

Vinte escritoras bauruenses ou que já viveram em Bauru assinam os contos e crônicas do livro O vazio não está nem quando é silêncio – vozes femininas na literatura, uma coletânea de contos e crônicas assinada por mulheres e que tratam exclusivamente do universo feminino.

Com 144 páginas, o livro traz vinte textos que falam de assuntos como solidão, afeto, maternidade/não maternidade, sexualidade, trabalho, loucura e ainda oferecem boas pitadas de humor. “Nós vemos esse livro como um ato de resistência frente a um dos maiores desafios da sociedade contemporânea: garantir e ampliar a voz das mulheres. São vinte vozes distintas, mas que se complementam, tanto no estilo de escrita, como na abordagem de temas como o racismo, a solidão e a maternidade”, explica a escritora Patrícia Lima, organizadora da obra.

Autora de O amor é solo de jazz, lançado em 2020, Patrícia é formada em Letras e uma das coordenadoras do grupo de leitura Cevadas Literárias, com quase três anos de atividades.

 

Diversidade

 

O vazio não está nem quando é silêncio inclui textos de autoras nascidas em Bauru ou que viveram na cidade por um período (confira abaixo a lista com todas as escritoras e seus respectivos textos), como é o caso de Carolina Bataier, natural de Duartina e que permaneceu na região entre 2013 e 2019, atuando como jornalista em veículos de imprensa. Seu livro, O pôr do sol dos astronautas, foi lançado nesse período, em 2018. Carolina assina o conto “Onde a chuva que cai”, que trata da solidão possível nos relacionamentos. Outro exemplo é Adriana Maximino, nascida em Bauru e hoje residente em Frankfurt, na Alemanha, onde trabalha como tradutora. O conto “A estrada que não segui” é seu primeiro texto publicado em livro.

Algumas autoras têm sua trajetória de escrita atrelada às redes sociais, como Instagram, Facebook e Medium. É o caso de Micheli Betti, que publica em livro físico pela primeira vez e nos apresenta uma leitura de Capitu, célebre personagem de Machado de Assis, adaptada para os tempos de matchs e encontros virtuais.

Dessa forma, o livro une autoras experientes e premiadas a jovens estreantes no mercado editorial, o que também tem reflexo na diversidade de temas. Renata Machado, com três livros publicados e prêmios literários (foi ganhadora do Prêmio Oswald de dramaturgia com O menino minguado, filho da lua cheia) nos fala do amor na maturidade, no texto que dá nome ao livro. Mostra que as relações humanas podem fincar raízes no tempo. É autora dos livros Tardes Secretas, Noroeste e Aos que me foram caros e alguns mais baratinhos.

Outras abordam questões relevantes como o racismo estrutural e suas consequências para as mulheres pretas. É o caso de Fernanda Rosário e Titta Santos, que adentram esse aspecto nefasto da sociedade e mostram como ele pode infiltrar-se no corpo feminino, chegando a privá-lo de bens elementares como o afeto.

A diversidade se aplica também às profissões das integrantes do livro, que reúne estudantes, professoras, tradutoras, jornalistas, pesquisadoras, grafiteiras, compositoras, cantoras, psicólogas, administradoras, esteticistas entre outras profissões e habilidades.

 

Demanda represada

 

Há pouco mais de um ano no mercado, a Editora Mireveja, localizada em Bauru, teve a ideia de lançar sua primeira coletânea de escritoras a partir da percepção de que existe uma lacuna nas publicações da região – livros que tratem exclusivamente do universo feminino. Após a divulgação da proposta, mais de uma centena de textos foram inscritos, por mais de 50 autoras, de várias gerações e diversos matizes sociais. Ao final do processo, foram selecionados 20 textos, de diversos temas e estilos.

Segundo Patrícia Lima, rapidamente ficou claro que os textos, embora ligados a um aspecto geográfico, têm uma força que ultrapassa fronteiras. “São textos representativos de mulheres não só de uma região, mas de qualquer lugar. Este é um livro feito por escritoras que têm algo a dizer”, completa a escritora.

Além das vinte autoras, o livro reúne uma equipe de mulheres de peso do mundo editorial: a designer paulistana Luciana Facchini, cinco vezes ganhadora do Prêmio Jabuti em projeto gráfico, que concebeu toda a identidade visual do livro; a fotógrafa Nádia Maria, que reside em Bauru e tem seu trabalho de fotografia fine art projetado mundialmente em importantes publicações e galerias. É dela a imagem da capa.

AS AUTORAS

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