POESIA
Jeferson Barbosa da Silva escreve como quem respira. É praticamente impossível acompanhar sua produção literária, diária, profusa, de alguém que faz versos como se não houvesse amanhã e dialoga com vários estilos, gerações e épocas – compartilha sonetos em nuvens digitais, declama poemas em vídeo, em vlogs e portais.
Ironicamente, Vinte e cinco poemas sem fim é seu livro mais sintético, com um número de poemas que chega a ser um desafio para um jovem editor como eu. Mas a poesia de Jeferson, densa e flutuante, matemática e lírica, abre espaço em nós a cada página, seja no (quase) vazio das folhas em branco, seja no traço do ilustrador Otavio Seraphim, que acrescenta ainda mais sentido ao que é dito, com suas linhas e entrelinhas.
Jeferson Barbosa da Silva, também conhecido como Garoeiro, não tem medo de tema algum – o sexo, a morte, a política, o envelhecer, as amizades, tudo é evocado por ele. Aliás, vale ressaltar que grande parte dos poemas presentes nesta obra é dedicada a pessoas que atravessaram sua longa trajetória como escritor, e suas mais de sete décadas de vida.
Tudo isso torna este pequeno livro ainda maior, justamente por não ter fim nem finalidade, como a própria poesia.
João Correia Filho

