Fotografia: Nádia Maria

VOZES FEMININAS NA LITERATURA

 

Livro reúne escritoras bauruenses e busca amplificar a voz de mulheres num espaço ainda hoje amplamente ocupado por homens, a literatura.

 

Vinte escritoras bauruenses ou que já viveram em Bauru lançam o livro O vazio não está nem quando é silêncio – vozes femininas na literatura, uma coletânea de contos e crônicas assinada por mulheres e que tratam exclusivamente do universo feminino.

Com 144 páginas, o livro traz vinte textos que falam de assuntos como solidão, afeto, maternidade/não maternidade, sexualidade, trabalho, loucura e ainda oferecem boas pitadas de humor. “Nós vemos esse livro como um ato de resistência frente a um dos maiores desafios da sociedade contemporânea: garantir e ampliar a voz das mulheres. São vinte vozes distintas, mas que se complementam, tanto no estilo de escrita, como na abordagem de temas como o racismo, a solidão e a maternidade”, explica a escritora Patrícia Lima, organizadora da obra.

Autora de O amor é solo de jazz, lançado em 2020, Patrícia é formada em Letras e uma das coordenadoras do grupo de leitura Cevadas Literárias, com quase três anos de atividades.

Diversidade

 

O vazio não está nem quando é silêncio inclui textos de autoras nascidas em Bauru ou que viveram na cidade por um período (confira abaixo a lista com todas as escritoras e seus respectivos textos), como é o caso de Carolina Bataier, natural de Duartina e que permaneceu na região entre 2013 e 2019, atuando como jornalista em veículos de imprensa. Seu livro, O pôr do sol dos astronautas, foi lançado nesse período, em 2018. Carolina assina o conto “Onde a chuva que cai”, que trata da solidão possível nos relacionamentos. Outro exemplo é Adriana Maximino, nascida em Bauru e hoje residente em Frankfurt, na Alemanha, onde trabalha como tradutora. O conto “A estrada que não segui” é seu primeiro texto publicado em livro.

Algumas autoras têm sua trajetória de escrita atrelada às redes sociais, como Instagram, Facebook e Medium. É o caso de Micheli Betti, que publica em livro físico pela primeira vez e nos apresenta uma leitura de Capitu, célebre personagem de Machado de Assis, adaptada para os tempos de matchs e encontros virtuais.

Dessa forma, o livro une autoras experientes e premiadas a jovens estreantes no mercado editorial, o que também tem reflexo na diversidade de temas. Renata Machado, com três livros publicados e prêmios literários (foi ganhadora do Prêmio Oswald de dramaturgia com O menino minguado, filho da lua cheia) nos fala do amor na maturidade, no texto que dá nome ao livro. Mostra que as relações humanas podem fincar raízes no tempo. É autora dos livros Tardes Secretas, Noroeste e Aos que me foram caros e alguns mais baratinhos.

Outras abordam questões relevantes como o racismo estrutural e suas consequências para as mulheres pretas. É o caso de Fernanda Rosário e Titta Santos, que adentram esse aspecto nefasto da sociedade e mostram como ele pode infiltrar-se no corpo feminino, chegando a privá-lo de bens elementares como o afeto.

A diversidade se aplica também às profissões das integrantes do livro, que reúne estudantes, professoras, tradutoras, jornalistas, pesquisadoras, grafiteiras, compositoras, cantoras, psicólogas, administradoras, esteticistas entre outras profissões e habilidades.